The photographer I am

SOME THOUGHTS ABOUT THE PHOTOGRTAPHER

I have the satisfaction, and the cross, of loving what I do. I assure you that it is not easy.  I could have that candid satisfaction, some call it passion, because when we do what we like should be enough to do a good work and put the bread in the table.

Wedding photography aloud me to do, in a single job, almost all the kinds of photography: photojournalism, portrait, architecture, details, social, etc. That make me feel fulfilled about my work and I just walk in this path. Maybe I exaggerate a bit but, for now, it is good.

However if you think that I am a very happy guy at the end of the wedding day, where I was with my loving clients and their families and friends, I am afraid to undeceive you. Well, yes, I was doing what I like and everybody treated me well, I am not sad about it. But tomorrow it is the day to see what I did and, until there, expectation it is the word. Download the files with the photos, starting to chose them, organize them by place, select them by quality, moments and some…trash. So this is the part of the job that this wedding photographer does not like so much. Why chose this and not that. Oh!…no…not on focus, great I did that, ah!…could be better, love that one, great. So, as you can see, the after wedding day it is very emotional for the wedding photographer.

I think when we like to do the best, we are very unsatisfied with the final result of the work we do. And, sometimes that hurt. And if does not, well, maybe we are just a happy goofy just because we have the “passion”. If it is, you need to change the way.

Well, all this writing it is because when I am working in the editing photos, of the wedding, all the time I question myself  about the reason I did that photo, why choose that point of view, if the triggered moment was the perfect one, if I did this one the perfect frame, etc.

We can do this exercise: in the class room a group of people  learn how to photograph. Everybody have the same camera, the same lens and the same object to photograph. As a result of that we have, always, different photos from each student. Because one used a different point of view, another changed the direction of the light, that one have some taste for composition and, finally, someone feel that vibe that make him feel, even if he does know that, the best of the group.

We can learn all the photographic technics, apply them all and just nothing good will be watchable. I think everything we do will not work with just the passion we have for that, but with some natural inclination. That, when mixed with the technic knowledge aloud us to be a good, as I like to say, artisan of our trade.

We all have the exemple of that auto mechanic when he listen the sick motor and, just a touch in the right bolt,…fixed, after everybody in the garage, with all technological tools, tried. Well he just have…the thing.

I think this exemple worth for, almost, everything we do. We must feel what we do and, with the use of the technic we can achieve the best. That is what I have been feeling about my process as wedding photographer. Learning the technic only put us on the path, only lead the way. Find the good result it is something that we only achieve with time and, mostly, evolving without noticing that. It is something that is happening day by day, feeling the right way to do it, being critical all the time and we will feel the best frame, the good use of the light and we will serve our clients the best we are able to do.

So, I believe when the photographers, wedding one include, find the right photo with hard work, great critical capacity, specially being very, very resilient and, always, with the knowledge that our next client will receive a work better then the last one. This is the way, maybe utopian, to a perfect photo.

ALGUNS PENSAMENTOS SOBRE O FOTÓGRAFO

Tenho a satisfação e a cruz de gostar do que faço.

Garanto-vos que não é fácil. Podia ter a atitude cândida de eterna satisfação por fazer algo que me preenche a vida e o espírito e, ao mesmo tempo, põe à minha família o pão na mesa.

Ser fotógrafo de casamento permite-me fazer, numa única acção, quase todos os tipos de fotografia que se praticam: reportagem, retrato, arquitectura, produto, social, etc. Daí me sentir preenchido e não procurar outro tipo, ou melhor, fotografar fora do contexto do casamento. Também é um exagero, concordo, mas para já é assim.

No entanto se se pensa que chego alegre e feliz depois de um dia bem passado com os meus clientes e os seus convidados no dia mais feliz das suas vidas, pelo menos até ali,  desengane-se. Bem chegar chego e, pelo menos até dia seguinte. Depois começa o trabalho de descarregar as fotos do casamento no computador e fazer a escolha do melhor do dia.

Aqui começam as angustias: porque razão escolho esta e não aquela, porque razão não me baixei mais um bocadinho e esta imagem teria saído melhor, porque razão não usei a outra objectiva que tinha dado um angulo melhor, etc, etc, etc.

Pode pensar com isto que ou não faço grande coisa ou sou muito insatisfeito com o que faço. Vejamos as coisas desta maneira: para fazer fotografia de um casamento temos que estar capazes de ter uma grande capacidade de conhecer e gerir o nosso equipamento fotográfico de modo a que seja parte integrante do nosso corpo e da nossa cabeça. Só assim poderemos, sem pensar, saber o que fazer conforme a situação, o espaço, a luz, etc. Não existe tempo para pensar. Se se pára para pensar passa o momento. E é para captar momentos que lá estamos.

Por outro lado temos que saber o que fazer com ele, equipamento, para produzirmos aquilo que podemos chamar o nosso estilo. Aliar a técnica, uso do material, com estética, o que produzimos com ele é, muitas vezes, de conjugação difícil.

Muitas vezes para produzir determinado resultado final temos que desconstruir, ou por palavras mais simples, fazer mal feito para obtermos o resultado que queremos. Essa é a parte mais difícil. Como é que a cada momento temos que decidir como captar nas condições certas para o resultado que pretendemos. Essa é a grande aprendizagem de qualquer fotógrafo. Primeiro aprende a seguir as regras, depois começa a desafiá-las para chegar ao seu resultado final. É aqui que a fotografia começa a ser interessante. É aqui que começamos a ver qualquer começar a ser a fotografia de fulano ou beltrano.

O grande problema é que, apesar de nos tornarmos no que fazemos, só conseguimos atingir algum resultado se e quando somos insatisfeitos, constantemente, com o resultado do nosso trabalho. E isso, muitas das vezes, dói. Se não doer e somos apenas alguém que se auto satisfaz com o que vai conseguindo, talvez melhor seja parar e mudar o rumo das coisas.

Toda esta conversa tem a ver com facto de, quando me vejo perante o resultado de um dia de fotos num casamento, constantemente me questiono sobre a razão da forma como fiz esta ou aquela fotografia. Se consegui, por um lado, mostrar o que se passou e, ao mesmo tempo produzi uma imagem que, por si só, é um resultado de valor estético e cumpre a função para que foi feita: contar uma história. Isso será assunto para outra reflexão.

Por outro lado, façamos este exercício:

Numa aula de iniciados na aprendizagem da fotografia damos a fazer o seguinte trabalho: todos com a mesma máquina, mesma lente e mesmo assunto, ou seja, todos têm que fotografar a mesma coisa.

Como resultado vamos ter, sempre, fotografias diferentes. Ou porque cada um escolheu um angulo diferente, optou pela direcção da luz de outra maneira, tem mais jeito ou menos para a composição e, finalmente, porque tem, como eu chamo, a sua própria vibração a sentir o que está à sua frente e, com isso, é tentado, sem que se aperceba disso, a fotografar dessa maneira.

Podemos aprender todas as técnicas de como fotografar, aplicá-las todas, e bem, sem, no entanto, conseguirmos fazer nada de jeito. Isto porque, como para tudo, para o que fazemos precisamos de ter a nossa inclinação natural. Porque isto é diferente de gostar. Gostar, ter paixão pela fotografia não garante a ninguém que, de facto, a saiba fazer. A inclinação natural para isso, sim. Todos conhecemos gente com essa inclinação para certas coisas e não que lhe dão nenhuma importância.

Temos o exemplo do mecânico da oficina onde entregamos o nosso carro desafinado. Vai “à máquina” como hoje se diz, apertam aqui e ali mas o carro continua sem força e a gastar muita gasolina. Voltamos à oficina e, nesse dia, quem nos recebe é alguém que, em vez de ir pôr, de novo, o carro na máquina, escuta a máquina. Perde algum tempo a “sentir” e a “ouvir ” o motor. Depois pega na chavinha de fendas, dá um jeitinho, certo, preciso naquele parafuso que ninguém tinha tocado e o motor recomeçou a cantar como devia.

Ora isto vale para tudo o que fazemos. Temos que sentir o que fazemos para chegarmos a um resultado. É evidente que isso não é suficiente. Mas é o motor que impulsiona para o teste, para a experiência, para a intuição de que assim ficará melhor.

Foi isso que fui sentindo ao longo do meu processo enquanto fotógrafo e, depois, enquanto fotógrafo de casamento. A aprendizagem da técnica apenas nos põe no caminho do fazer. Conseguir determinado resultado é algo que vai sendo conseguido no tempo e por vezes é uma evolução que nem nos damos conta. Vai acontecendo e, um dia, temos algo que é nosso. Temos uma fotografia que sentimos, que só nós é temos aquela forma de enquadrar, que produzimos os tons que dão realce às nossas fotografias. Resumindo, leva muito tempo e trabalho, chegarmos a bom porto.

Fotografo assim porque, no meu percurso, fui chegando a resultados que me agradavam: a composição, os tons do preto e branco, a escolha da tomada de vista correcta para o que estava a fotografar, etc.

Acredito que os fotógrafos, incluo os de casamentos, quando têm uma imagem que os identifica não chegaram lá porque decidiram ser assim mas, porque isso se lhes foi impondo ao longo do seu percurso. Só quando isso acontece o resultado aparece. Depois é sempre um processo de depuração no caminho, utópico, para imagem perfeita.

Texto e Fotos: Fernando Colaço

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