Do Cais do Sodré ao Terreiro do Paço

Se existe zona de Lisboa que está impregnada na história da minha vida é a Estação do Cais do Sodré e aquele grupo de veias e artérias que são as suas ruas adjacentes e, quase todas, transportam a este coração da cidade de Lisboa o sangue vivificante em forma de gente de vai e vem à sempre linda baixa lisboeta. As ruas do Alecrim, S. Paulo, Arsenal e as outras que, de repente, se me não vêm à lembrança os nomes são a minha primeira ligação a Lisboa.  Ali fica o Beco dos Apóstolos lugar do meu primeiro emprego num pequeno escritório de contabilidade em cuja função me dava a liberdade de vagabundear pela cidade a cuidar dos assuntos entre o escritório e os seus clientes e serviços. Daí toda a baixa não me ser mistério como quando, agora, no exercício de fotógrafo de casamento de vez em vez ali vou com os meus noivos como criança feliz a mostrar o seu mundo a outros.

Desta vez foi a Sofia e o Bruno que aceitaram o desafio. A patine que aquelas ruas antigas e um pouco maltratadas dão à fotografia, e a este seu serviçal, são de valor inestimável. Já não tendo a carga de outros tempos os tempos novos deixam-nos com calma e satisfação deambular pelas ruas e fazer uma mistura de fotografia de rua e retrato de casal pouco habituado a estas coisas das poses e lentes apontadas, podendo ser um pouco desconfortável mas cabendo ao fotógrafo ir limando e descontraindo até que se chega ao fim da sessão e soube sempre a pouco a ambas as partes e, depois, no dia do casamento já  este caçador de luz se tornou, como sempre deseja, a figura mais invisível do dia.

Assim fui aproveitando o que aquelas ruas me, nos, iam oferecendo de tessituras, profundidade e ligação a algo que vem de outros tempos e nos faz sentir que pertencemos a coisas que nos impelem para o futuro que tem um jovem casal casadoiro pela frente.

O novo caminho entre o cais do Sodré e a Praça do Comércio, que ainda não tinha visto, parecia ter provado que sim porque tanta gente o pisava com aquela satisfação de quem se chegava ao rio como se de uma outra alimentação andasse necessitado. A Sofia e o Bruno já livres do nervoso do começo provaram-se grandes modelos e terminámos  em pleno na belíssima Praça do Comércio vivificada de gente e com o sol a despedir-se até amanhã. O fotógrafo de casamento, bem, de barriguinha cheia como gosta.

Texto e Fotos: Fernando Colaço

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