É uma fotografia de casamento

  Família. Poderia ser o tema, também, desta fotografia. O dia do casamento é, fundamentalmente, uma reunião de família, ou melhor, de famílias. São duas famílias que a partir dali se transformam numa. E esta fotografia não podia ser o melhor exemplo. Genro com a mão da noiva e noiva com o seu pai. Podia ser o contrário que iria dar no mesmo. Estas fotografias que por ali se vão construindo como nuvens soltas em dias de vento são o meu principal centro de atenção durante a parte da festa. É engraçado como cada parte do dia do casamento deve ter uma atenção, da parte do fotógrafo, diferente.

  Na preparação procuro emoldurar, usando as coisas dos espaços, os noivos na sua azáfama até saírem a caminho do sim, aceito. Na cerimónia o contar com imagens as emoções, daqueles breves momentos, de jura para vida em conjunto usando o espaço e o que ele pode fazer para valorizar a mostra do estado de espírito daquele casal, respeitando a razão da escolha daquele local.

  Na festa são as relações e os afectos que me atraem. Aquela capacidade que vejo nas pessoas a comportarem-se como bandos de estorninhos em constante recombinação mal dando tempo, ás vezes, de reagir entre o detectar e o fotografar. Mas isso é o que dá gozo. É um constante desafio entre duas partes importantes do meu trabalho, o observar e o executar, obrigando muitas vezes a ser detentor de poderes mágicos ou de Clark Kent mas enquanto Super Homem. É assim. E depois consigo como esta.

Texto e foto: Fernando Colaço

Dançando na Quinta dos Alfinetes

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