Fotojornalismo de casamento e retrato

O fotojornalismo de casamento caracteriza-se, por referência a fotojornalismo jornalístico de grande tradição desde que a fotografia se ligou às notícias, pela atitude do fotógrafo em não interferir no acontecimento. Ligado à cobertura de um casamento, a sua transposição deverá ser acompanhada pelo mesmo princípio. Cabe ao fotógrafo saber comportar-se na sua movimentação e  localizar-se no espaço onde se passa o que se passa para que possa cumprir a sua tarefa e, ao mesmo tempo, a sua presença não ser motivo de alteração de comportamento por parte dos elementos importantes na acção.

O retrato poderá ser colocado no outro extremo do acto de fotografar pessoas. O fotógrafo tem todo o controlo sobre quem se coloca em frente da sua máquina fotográfica com a devida lente escolhida para o efeito. O retrato produz no fotógrafo uma entrega completamente diferente. Enquanto no processo fotojornalistico este deverá adaptar-se à situação e aqui, no retrato, ele adapta a situação às suas decisões estéticas, da forma como quer utilizar o espaço e os seu elementos para “vestir” os retratados e dar-lhe a ambiência que, ou idealizou ou rapidamente se aproveitou desses elementos, a seu ver irão favorecer a leitura que quer fazer dos seus retratados. Ainda temos que levar em conta a objectiva que escolheu, o diafragma que usou, a exposição que escolheu de modo a ficar uma fotografia mais ou menos escura, o valor ISO para ter mais ou menos grão de modo a interferir na tessitura da imagem e outras pequenas coisas que cada fotógrafo inventa para personalizar o resultado que pretende no, por mim só ali, papel.

Por outro lado o fotojornalismo tem outras grandes, e por vezes, difíceis decisões. Lembremos que muitos dos aconteceres o são em movimento, mudando rapidamente de espaço com alterações, também elas alucinantes, de intensidade e qualidade de luz requerendo do fotógrafo conhecimento e reacção pelo menos suficiente para controlar o seu equipamento e a sua movimentação em torno da acção principal a cada momento do desempenho no dia. E garanto que que não é fácil. Requer um esforço de atenção que vai muito para além da romântica paixão pela profissão. A paixão, como diz o ditado, é cega e pode impedir a fria leitura necessária a uma cobertura que cumpra, em termos qualitativos e de facto, o chegar a bom porto com satisfação de parte do fotógrafo e, principalmente, do cliente.

O dia do casamento precisa destas duas cambiantes na acção do fotógrafo, pelo menos na forma como o entendo, o que manifesta uma necessidade, da parte dele, de ser sabedor desse conhecimento necessário a garantir que a memória do dia, de facto, o seja e sempre com verdade, relativamente a todos os movimentos e emoções que lhe foram parte. Cabe, por isso, aos procuradores de caçadores de imagens, os clientes, a grande responsabilidade perante si de saber ler, nos vários encontros nessa demanda, quem melhor estiver preparado para tal.

Texto e fotos: Fernando Colaço

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