Os sinais dos tempos e o fotógrafo de casamentos

Apesar de ser um grande apreciador das coisas da tecnologia e ter alguns brinquedos de estimação para além da área da fotografia, é anacrónico dizê-lo, mas os aparelhinhos das comunicações não me dão grande gozo. Da mesma forma que, para mim, um automóvel é um aparelho que me leva de um sítio para outro e me facilita a vida, um telemóvel não me serve mais do que o telefone de disco redondo com buraquinhos onde se enfiavam os dedos para rodar a introduzir código para outro lado e trazer vozes ao meu ouvido, tantas vezes visto em plano fechado no cinema como se coisa misteriosa ou dada a secretismos se tratasse.

É claro que também tenho os meus gadgets que me trazem outros prazeres, ainda que ligados à audição, mas cujo assunto não interessa a quem procure fotografo de casamento a não ser que também partilhe das loucuras da reprodução das músicas em sala de estar que mais pareça sala de concertos. Como disse, assunto para outros blogs.

Vem isto a propósito do telefone de hoje, pomposamente, apelidado de telefone esperto e das coisas para que serve. Aquela, função, que me interessa aqui só tem a ver com o lado de máquina fotográfica que inunda os nossos casamentos e que por muitas vezes, ás vezes muitas, mão estendida coloca à minha frente e me estraga fotografia, tão bem pensada, mesmo antes do disparo ou faz com que, de repente, me veja rodeado de concorrentes para fotografia expectável, onde me posicionei para disparo certeiro, e me veja obrigado e rever ângulo de toma e lente a usar.

No entanto não sou pessoa de rancores, nem de vinganças, e uso aquela máxima popular de quando nada podes contra junta-te a eles. Assim, e dado que oportunidades não faltam, lá vou estando atento à selfies, onde raramente o são, aos braços estendidos e cusco ao monitor do dito para ver se me dá, de ângulo correcto e efeito de lente, aquela fotografia que não acrescentando nada à história do dia do casamento pode dar um bonito efeito fotografo por si. Assim o uso do telefone esperto deixou de me ser objecto de impertinência para assunto fotográfico em si. Outros, inventos, venham para manter a coisa sempre up to date. Por mim, nah, prefiro as minhas máquinas grandes com as minhas lentes pesadas. Coisas.

Texto e fotos: Fernando Colaço

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