Fotógrafo de casamento como artesão, parte 2

   Existem muitas maneiras de colocar em contexto a exposição, medição da luz, numa fotografia. O problema é que em cada uma das escolhas que possamos fazer isso vai alterar a leitura que iremos fazer da mesma. Podemos escolher iluminar com luz contínua ou flash. Podemos usar elementos existentes, candeeiros, espelhos ou panos difusores. Podemos usar reflectores para encher espaços mais escuros. Podemos dirigir os fotografados e mudá-los de lugar em função da nossa, fotógrafos, necessidade ou podemos levar em conta as condições técnicas do equipamento, ou melhor, da sua sua forma de gravar as fotos e junto com o programa de tratamento de imagem resolvermos o que no local pode ser bastante difícil.

   Quando comecei a fotografar casamentos, conforme o tempo foi passando, concluí que teria que escolher um método que ao mesmo tempo me fizesse entregar o melhor que conseguisse fazer aos meus clientes e resolvesse, da melhor maneira, as condições técnicas que me senti a deparar em todas as sessões. Rápidamente coloquei em primeiro lugar a obrigatoriedade de captação da verdade, sem interferir nos momentos que se deparavam constantemente à minha frente, constatando que a velocidade dos mesmos não seriam amigos de perdas de tempo para espere um bocadinho para pôr ali a minha luz ou dê-me um jeitinho que eu preciso de encostar ali o meu reflector.

   Assim nasceu o meu lado de artesão no meu processo de trabalho na fotografia de casamento. Nada de novo, já escrito aqui, comparado com os processo de laboratório de preto e branco quando fotografava em filme, com os tapa e destapa para retirar do original negativo todo o sumo que iria almar a impressão em papel. Apenas, agora, me sirvo das possibilidades do processo digital. E isso é trabalho de artesão. Já li escrito algures que é esculpir fotografia. Não poderia concordar mais. Com todo o carinho o continuo aqui.

Texto e foto: Fernando Colaço

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É uma fotografia de casamento

  Família. Poderia ser o tema, também, desta fotografia. O dia do casamento é, fundamentalmente, uma reunião de família, ou melhor, de famílias. São duas famílias que a partir dali se transformam numa. E esta fotografia não podia ser o melhor exemplo. Genro com a mão da noiva e noiva com o seu pai. Podia ser o contrário que iria dar no mesmo. Estas fotografias que por ali se vão construindo como nuvens soltas em dias de vento são o meu principal centro de atenção durante a parte da festa. É engraçado como cada parte do dia do casamento deve ter uma atenção, da parte do fotógrafo, diferente.

  Na preparação procuro emoldurar, usando as coisas dos espaços, os noivos na sua azáfama até saírem a caminho do sim, aceito. Na cerimónia o contar com imagens as emoções, daqueles breves momentos, de jura para vida em conjunto usando o espaço e o que ele pode fazer para valorizar a mostra do estado de espírito daquele casal, respeitando a razão da escolha daquele local.

  Na festa são as relações e os afectos que me atraem. Aquela capacidade que vejo nas pessoas a comportarem-se como bandos de estorninhos em constante recombinação mal dando tempo, ás vezes, de reagir entre o detectar e o fotografar. Mas isso é o que dá gozo. É um constante desafio entre duas partes importantes do meu trabalho, o observar e o executar, obrigando muitas vezes a ser detentor de poderes mágicos ou de Clark Kent mas enquanto Super Homem. É assim. E depois consigo como esta.

Texto e foto: Fernando Colaço

Dançando na Quinta dos Alfinetes

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Fotógrafo de casamento como artesão, parte 1

   Vivemos , hoje, tempos que nos deslumbram com o que a tecnologia nos oferece. Como fotógrafo não posso deixar de ser um desses deslumbrados. Por um lado porque essas novas da tecnologia, ainda nova como a digital, onde os algoritmos dos programas ditam as leis e as regras, me proporciona possibilidades fotográficas impensáveis à muito pouco tempo. Por outro lado porque, ainda que o tempo da infância já esteja apenas nas memórias, gosto de brinquedos. I am a boy and I like toys.

   No entanto não sou daquelas pessoas que se encantam e deleitam com tudo o que é novidade tecnológica e faço logo a triagem imediata para saber se me vai ajudar a fazer melhor o que faço. E fazer é o que me move. Sinceramente, hoje em dia, já não tenho aquele wow quando qualquer novidade vem a lume.

  Vem isto a propósito do tema que deveria ser por inteiro o meu assunto de hoje. Desde muito tempo que a esmagadora maioria de nós ganha o seu vintém fazendo coisas completamente dependentes da tecnologia pertencente à área onde trabalhamos. Pouco, hoje em dia, é feito sem que dessa tecnologia não dependamos mas sem aquela liberdade de fazermos o que gostamos com o seu uso. Daí me considerar, humildemente, alguém com um grande privilégio. Poder usar a tecnologia como ferramenta e, com ela, ver-me como os artesãos que ao longo dos tempos produziram aquelas coisas bonitas que nos enchem a alma tornando a nossa existência mais leve. É, garanto, com essa humildade, por saber que pertenço a um grupo de poucos, que tento dar sempre o melhor que souber quando alguém me confia o dia do seu casamento para fotografar. Não tenham a mais pequena dúvida.

   The times we live are astounding with what the technology offer to us. As a photographer I am, of course, one of that dazzled of the contemporary days. Because that new things of the, very young, digital technology, with algorithms from the apps that are dictating the lows and rules, give me photographic possibilities inconceivable some years ago. Also because, with childhood only in my memory, I like toys. I am a boy and I like toys.

   However I am not one of that persons that accept  with some enchantment every new technological things and, immediately, I ask myself if this will help me to do better what  I do. And, doing it is what move me. Sincerely I do not have that wow with all new events of technology. 

   But that was just to approach my today´s subject. Since the beginning of the industrial days the most of us get is cent to live doing things completely dependent of the technology belonging to our kraft. Not much things can be done without that and, unfortunately, the freedom to create something that could be called our own. That is why I consider myself a privileged. I can use technology as a tool and, like the old artisans that produced the beautiful crafts to fulfill our yes and our soul and make our existence more light. It is, I assure with humbleness, because I know I belong to a group of few, that I always do my best when someone trust me his wedding day to photograph. Do not doubt even a bit.

Texto e foto: Fernando Colaço

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