Também é uma fotografia de casamento

   Estas mãos não são da noiva nem o pescoço é do noivo. Mas é num casamento. E se pedida não sairia tão perfeita. Daí poder ser filha, a foto, do método que me dá mais segurança para fazer uma cobertura de verdade: o foto jornalismo de casamento. Não que me queira intitular de foto jornalista, daqueles dos jornais e revistas que nos trazem a verdade crua da vida em locais longe do nosso e que, por vezes, nos fazem repensar sobre que mundo é este que nos rodeia. Esses que, por vezes, com o risco da vida, chegam onde já ninguém vai para contar, a quem cá está, que afinal existem coisas que são bem diferentes do nosso florido quintal, têm todo o meu respeito e admiração

  Digamos que em homenagem, que me merecem, me apodero do seu método de não fazer parte da acção e como observador a distância perto o suficiente para não ser já parte ou longe o suficiente para não perder contexto, tento ser atento e lesto o suficiente para, naquele evento, reparar nas coisas que mais ninguém está, ali, com intenção de reparar, usar o rectângulo que se me oferece ao olho direito para preservar num outro espaço e num tempo que se pretende com alguma eternidade, a foto, aquela gota de realidade apanhada a ser preservada noutra textura, dimensão, cores ou tons mas que faz o interprete reviver  e ao mero observador, se resultou, algum deleite.

  De facto e pensando bem sou uma espécie de ladrão de momentos que guardo em saco de tesouros que, depois, vou devolvendo, qual Robin dos Bosques ou o nosso Zé do Telhado, a quem delas vai precisar para, de vez em vez, reviver uma história que foi a sua ou a quem dela, também, fez parte. Como estas belas mãos, de certeza, sinceras em pescoço que escolheram. Enquanto for assim continuarei a ser, com grande gosto, fotógrafo de casamento.

Texto e foto: Fernando Colaço

De um casamento na Quinta da Serra em Sintra

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