Um casamento na Casa de Reguengos.

Ouvindo um tema de Miles Davis, Sanctuary do seu famoso album Bitches Brew, encontrei relação entre o tema e aquilo que faço como fotógrafo de casamento. Um pouco retorcido, ou forçado, se lido por algum fan “actico” de jazz mas o certo é que um dia de cobertura fotográfica de um casamento não fica muito longe de tema tocado por músicos em estado de graça nessa performance sempre inesperada, mesmo para ouvidos habituados a viagens através das notas musicais em dedos e sopros jazzísticos.

Eu explico. Tal como no jazz o dia de um casamento tem o tema. Um caminho que sabemos que vamos seguir, que tem uma melodia própria e com tempos mais ou menos definidos. Casa dos noivos onde a sua preparação tem lugar, a cerimónia, a festa, as fotografias com o casal. Tudo isto está mais ou menos definido e sabemos que não vai ser muito diferente dos temas que entretanto já tocámos noutros dias de uniões para vida em conjunto. Tal como no dia de casamento o jazz, e em dia de imaginação expedita, começa sempre pelo tal tema mas logo, como que em desvario que se domina perfeitamente, começamos a ouvir aqueles desvios ao ritmo, aos alongamentos e compressões dos tempos, ás entradas dos solistas que alteram a rota das texturas por combinação de instrumentos e aquele tema que identificámos , à partida, se transforma em viagem que sabemos sujeita a desvios que nos podem surpreender a qualquer momento ou porque detectámos uma avó muito emocionada, ou porque entre a chegada dos familiares e as suas onde está noiva deixem-me primeiro dar um beijo noiva temos que esperar pelo pai que foi arrumar melhor o carro o bouquet ainda não chegou, enfim, de repente o ritmo muda o tempus escolhido fica sem efeito e quando de caminho para a cerimónia não nos sai da cabeça que o padre não gosta de esperas e nada pode esperar mais, muito menos por culpa do fotógrafo do casamento que não se desenvencilhou no trânsito a tempo, porque é tempo de retomar o tema do início da peça para começar novo tema, dos vários preparados para o dia, como se grande concerto de jazz se tivesse tornado o dia do casamento.

É claro que o casamento da Tânia e do Bruno não foi diferente, com o seu tema escolhido, os improvisos necessários, não deixar o tempo sem tempo e os solistas sempre a brilhar como não poderia ser de outra forma em dia de performance tão importante.

Por mim, se fosse músico só queria ser de jazz mas como fotógrafo de casamento não posso dizer que me dê menos gozo e na minha imaginação um pouco fértil, exagerada dirão alguns, imagino-me sempre um grande solista convidado a tocar com uma grande orquestra . Obrigado Tania e Bruno porque o fizeram e até ao próximo espectáculo.

Texto e fotos: Fernando Colaço

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