Uma fotografia de casamento como marca de memória

   Enquanto fotógrafo, no processo de um dia de casamento, tento nunca interferir no que se vai passando. É claro que as situações não variam muito e com o tempo qualquer fotógrafo profissional, de qualquer área, vai como que adivinhando o que se vai passar a seguir. É o que na gíria do jornalismo se chama tarimba. Ainda me lembram as minhas atitudes de barata tonta quando comecei, nas lides dos casamentos, sem saber ao certo onde e como deveria ser o melhor ponto de vista. Com o tempo damos por descobrir fotografias que fazemos que por mais nos perguntemos como foi que escolhemos aquele angulo, não o sabemos. Eu tenho que o nosso corpo, no todo e por si, vai ganhando uma memória e, por vezes, reage antes da cabeça, ou a razão, pensar no assunto.

   Foi o caso desta foto. Não foi por acaso porque além de bem enquadrada está bem composta e, a meu ver, no ângulo certo para mostrar o que é essencial além do tempo da transformação em fotografia que me parece no momento: uma menina dedicada a ajudar a mãe, que se vai casar, embora não soubesse muito bem o que isso seria. No entanto esse laço forte entre filha e mãe está nesta fotografia. Atitude de menina que diligentemente, e de vontade própria, ajuda a mãe que, embevecida, não desejava melhor ajuda.

   Ás tantas o processo de fotografar um casamento pode tornar-se apenas gíria a fotógrafo desatento. Mas são momentos como este que vão fazendo a diferença e justificam que, sempre com gosto redobrado, sinto que a minha presença é importante do dia do casamento de quem já me escolheu e de quem o virá a fazer no futuro. Por mim, sem dúvida nenhuma.

Texto e foto: Fernando Colaço

 

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